terça-feira, 1 de dezembro de 2009

 

Ambriz «» o Primeiro Poema


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** Michel Polnaref – Love Me Please Love Me **


Definição simplicista de Poema --» Obra literária em verso, geralmente um pouco extensa.
De uma forma geral, na primária ou no ciclo, quase todos tivemos a nossa iniciação na poesia quando algumas amigas e/ou amigos pediam para se escrever nos seus livrinhos cor-de-rosa com “cheirinho”, fitinha e molinha de fecho [elas] e nos cadernos [eles], alguns versos de amizade e de promessas de “nunca esquecer”. E lá se puxava pela imaginação e criatividade e escreviam-se quadras do género … “Se Napoleão com as suas tropas// Conquistou muitas nações// Tu com esses lindos olhos// Conquistarás vários corações” ;;; “Nas ondas do teu cabelo// Vou-me deitar a afogar// Para que saibas (o nome)// Que há ondas sem ser no mar” ;;; “Esta quadra te dedico// Sem jeito nem rima// Pois de versos já te digo// Não percebo patavina” e outros semelhantes, próprios do inicio, da inocência da idade e do momento.
Também não “escapei” a essa mania/moda e lá fui escrevendo quadras nesses tais livrinhos e/ou cadernos. Tinha como filosofia que não devia deixar de contribuir para a felicidade de quem me procurava para esse efeito.



Mas até à data/ano que neste tema relembro nunca tinha escrito um poema, pretendendo através dele dizer ou transmitir algo.
Assim dou início a mais uma minha estória, rememorando o momento em que escrevi

O Meu Primeiro Poema


Ano de 1972. Vila de Ambriz.
Situada a Norte de Luanda a Vila de Ambriz foi o meu primeiro destino militar.
Saído do R.I.20 [Luanda] fui destacado em 1971 para aquela Vila a fim de proceder à reabertura e montagem do Posto de Transmissões, então inoperacional.
Entre outros acompanhavam-me o Abelha, o Morgado, o Jorge. O major Santiago Maia comandava a Companhia. Sobre este assunto escrevi um tema que poderá ser lido em [clicar »»Ambriz - Natal 1971]



** Antes de prosseguir quero aqui referir que através de uma leitora do blog foi-me transmitido que a família de que “falo” naquele meu tema era a Família Sacramento. Essa família era conhecida dela e com eles tinha convivido, quando também vivia em Ambriz naqueles idos anos. Embora já o tivesse feito de forma mais particular, quero aqui deixar o meu publico agradecimento por me ter ajudado a dar nome àquela Família que me marcou aquando da minha estada em Ambriz **.

O meu primeiro poema, na sua verdadeira concepção, foi escrito no dia 06.Jan.1972.
Mitsuko Sassaki Gomes era uma moça brasileira de nascimento, filha de pai português e mãe japonesa, e vivia na Ilha do Governador/Brasil. Na data Mitsuko trabalhava na biblioteca daquela ilha. O seu nome surgiu-me meses antes, em 1971, já estava em Ambriz, através da leitura da Plateia ou da Flama, não posso precisar.
"Convirá aqui dizer que a Mitsuko não era, nem foi, minha madrinha de guerra, nem sequer o seu anúncio de procurar corresponder-se com jovem português foi nesse âmbito."
Ainda hoje milhares de jovens procuram corresponder-se com outros jovens, apenas em busca de novas amizades em outras zonas geográficas do globo. Foi neste “quadro” que a Mitsuko apareceu no meu mundo.
Procurava corresponder-se com jovem português, etc., etc. Por curiosidade e como tinha bastante tempo disponível respondi a esse anúncio, tendo sido essa a primeira vez, pois nunca antes o havia feito.

** com o camarada cripto nas trazeiras da vivenda do comando **


De certa forma já menciono a existência de Mitsuko no tema que acima refiro. Cruzamos muita correspondência e a partir de determinado momento as nossas cartas começaram a ter outro sentido, outro sentimento. Talvez um dia destes dê corpo a um tema mais pormenorizado sobre as nossas vontades, sobre o que acalentávamos para o futuro, já que a nossa ligação escrita chegou até ao ano de 1975. Foram quatro anos de partilhas sentimentais, de juras de amor, até num ápice tudo se desmoronar.
Mas o fechar dessa porta ficará para um futuro tema.

Assim e quase sem dar por isso saiu-me este poema, (o primeiro de muitos outros). Foi um poema escrito na zona rochosa da praia de Ambriz, talvez sob uma brisa refrescante após um dia de praia, de calor. É um poema de versos simples, sem pretensiosismo, sem rabusquices. Um poema de principiante, procurando apenas transmitir o que me ía na alma. A ela outros dediquei e enviei. Infelizmente só fiquei com três poemas dos bastantes que escrevi em Ambriz. Uns rasguei-os quando parti para Zau Évua, outros foram, numa tarde mais ventosa, pelo vento levados e pelo mar “engolidos”.




DESCONHECIDA

                                            Sozinho, sem a quem falar,
                                            Nesta infinita solidão,
                                            Que me impede de amar,
                                            E a quem dar o coração.

                                            Quem és tu a quem escrevo,
                                            E que de mim distante estás,
                                            Mas de quem leio com enlevo,
                                            Tuas cartas que o correio traz.

                                            Dizes que és morena,
                                            Como quereria te ver,
                                            Como serás tu pequena,
                                            Quem dera te conhecer.

                                            As tuas cartas são belas,
                                            Pois até falas com o mar,
                                            E essas tuas linhas singelas,
                                            Fazem-me de ti enamorar.

                                            Ouves o canto do rouxinol,
                                            Outros pássaros a chilrear,
                                            Sentes as carícias do Sol,
                                            Com a natureza a te rodear.

                                            Tu és morena e carioca,
                                            Desse Brasil sem igual,
                                            Os versos são dum tropa,
                                            Na defesa de Portugal.

                                            Este poema vou terminar,
                                            Pois o tempo assim o quis,
                                            Mas mais te irei dedicar,
                                            Daqui, da Vila de Ambriz.


Ambriz, 06 Jan 1972

Saudações e Inté



Comments:
Meu caro Leão Verde, como sei do que falas quando contas a tua experiência no Ambriz! Só cheguei lá depois de ti (talvez em finais de Fevereiro, início de Março de 1972, não estou bem certo agora) e encontrei já o CIA em funcionamento; o Santiago Maia tinha sido o meu capitão no R20, na instrução.
Foram, de facto, tempos felizes no Ambriz! Como tenho saudades daquela praia deserta, virgem, de águas cálidas! Dava muito para repetir essa experiência.
Recordei contigo o Ambriz da nossa felicidade. Quantas cartas de amor escrevi ao pôr-do-sol, quantos livros li deitado na areia limpa da praia... Enfim, saudades.
Um abraço.
José Manuel Martins
 
Olá nino,
Já á um tempo que não vinha aqui, mas adorei cá voltar.
Não te conhecia esta veia de poeta, conhecia só a de contador de estórias.

Mas eu não me importava nada de estar no lugar dessa morena/brasileira e ter tocado no coração de um tropa portugues como tu...:)

Beijokitas grandes e continua a escrever as tuas estórias.
 
Mano

Mais uma das tuas estórias com sabor a saudade não fosse o tempo um caminheiro que a nosso lado vai percorrendo os meus espaços e vivências de uma vida que é a nossa.

Ainda tenho os "poemas" (com a tua letra inimitável) que escrevíamos nesses livros de autógrafos.

:)

A tropa, para nós, foi uma forma de escape para outras vivências, outros locais, outros sons, outros cheiros.

E era nesse espaço longínquo que a veia literária ou poética vinha ao de cima pois o retiro, que não espiritual, assim "obrigava".

E numa zona rochosa saiu-te o poema qual pensador em seu penedo meditando.

A história de Mitsuko acabou como outras acabaram, mas outras surgiram sempre à busca de algo que ainda se procura tanto tempo depois, estarmos bem connosco é estarmos bem com o mundo e é dessa massa que somos moldados. A perfeição não é possível mas se ficarmos perto dela já é bom e é isso como sonhadores que procuramos mas no fundo só pedimos que nos deixem em Paz e nos deixem estar sentados no nosso penedo a ver o mar.

Para ti e para os teus Tudo de bom e BOAS FESTAS e BOM ANO 2010.

Um abraço Mano!
 
ue neste Natal,
sintas toda a alegria necessária
para seres feliz a cada instante.
Que todas as tuas vontades,
sonhos e desejos, sejam realizados.
Que tenhas uma noite de paz
juntamente com as pessoas
que estarão ao teu lado.
Que encontres razões
para continuar vivendo com alegria,
sorrindo e fazendo amigos.
Que neste tempo de paz possas
receber de cada pessoa
o amor que elas te oferecem.
Boas festas, com muito ânimo
e que se torne realidade
todos os sonhos que desejas alcançar.

Boas Festas!
 
Um bom dia para ti :) Apesar da chuva e do vento do Norte... não podia deixar de vir até aqui para te dar um beijinho, desejar-te um Feliz Aniversário e oferecer-te um miminho :)

http://deltacat31.com.sapo.pt/MitsukoSassaki.html%20

Tudo de bom!
 
Bom Dia Delta.
Agradeço profundamente o teres deixado aqui as tuas Felicitações por mais Aniversário meu, nesta para mim já longa estrada da Vida.
E especialmente o teu postal de oferta é de uma sensibilidade criativa, bem digno de ti, tendo-me deixado bastante emocionado a mim "Leão Verde".
Hoje está um dia de cão bem condizente com o Dia dos Santos Inocentes de há séculos atrás.
Obrigado e Tudo de Bom para Ti.
 
Olá Mano

Parabéns pelo teu Aniversário. Para ti o melhor do mundo.

Um abraço!
 
Como é bom visitar e revisitar este Blog.
Quanta saudade reprimida no nosso ser!
Visitar este Blog é um alegrar o nosso coração, simultâneamente é uma tristeza olhar estas maravilhosas e ímpares paisagens.
Escutar estas músicas, fechar os olhos e deixarmo-nos levar pela melodia. !!!! Tão bom. Obrigada Leão Verde.
 
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